Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

AvAtAr-AnAlogiA

Faz um tempão que não coloco em prática a minha vocação natural para a analogia :)
Quando assisti o filme Avatar pela primeira vez, bateu uma vontade imensa de construi-lá. Mas só depois de um ano é que fui colocar em ação esse chamado existencial.

O filme ilustra a possibilidade de um ser ou uma alma co-existir em dois corpos. O que para mim representa a alma em conexão com o nosso corpo físico e com o espiritual, pois creio que depois de mortos recebemos um novo corpo espiritual, sem qualquer imperfeição (como o personagem principal do filme), e vamos morar em uma outra dimensão.

A cena inicial retrata uma narrativa sobre o sonho, onde é possível voar e sua mente pode fazer qualquer coisa, até o momento de se acordar. Eu acredito que no início da criação humana, fomos planejados para usar a total capacidade do nosso cérebro, para ter todos os sentidos super aguçados e uma mémoria inexplicável, suprindo toda essa fome por super-poderes e super-heróis que existe na humanidade. Deixamos de ser assim, quando a humanidade deixou a maldade reinar, ou como disse o general-vilão: “we are in Pandora”.

Consultei o Google e lá diz que o termo Avatar é Indiano e vem do Hinduismo. Na verdade é a mesma história de Cristo, pois o Avatar é um espírito divino que desceu em carne e osso e veio salvar a humanidade. Assim como existe a trindade de Deus, no hinduismo existe a trindade dos 3 deuses-azulões (azul claro e escuro) na forma de um: Vishnu (pai) que se apresenta-se como Krishna e o Rama.

Até mesmo a árvore do Jardim do Éden, que representava o conhecimento do bem e do mal, aparece no filme como Atoki (atokirina são as folhinhas/sementes da árvore). Aí tem também a passagem para o outro corpo, que é feita por um fluxo de luzes coloridas, chamados de flux-vortex. E que na vida "real" pessoas que já tiveram experiências com a morte dizem ter passado por tal túnel.

No filme, para o avatar-intruso entrar na comunidade ele tem que passar por uma cerimônia que eles chamam de "nascer de novo" (be born two times). Da mesma forma, a Bíblia fala em João 3:3-7 : 3 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. 4 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?5 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. 6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. 7 Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

Duas frases que gostei no filme: "There was a sign!" (houve um sinal) e “All the energy is borrowed, one day you give it back”(toda energia é emprestada, um dia você devolve). Pois acho que Deus, apesar de ser mistério, manda vários sinais de que um dia haverá uma prestação de contas. Você não sabe de onde veio e nem sabe para onde vai, mas quando uma vida termina, outra começa. Como o personagem cita quando fala sobre a morte do seu irmão-gêmeo: “One life ends, other begins”.

Uma outra analogia que fica clara para mim refere-se ao processo de escolher o meio de transporte da época. Sem o bat-móvel ou o cavalo Tornado do Zorro, a tribo Omaticaya usa uma ave. E a escolha é feita da seguinte ordem: 1 - A recíproca tem que ser verdadeira: "you have to choose it, and he chooses you" 2 - Só há uma chance para escolher e partir para a luta 3 - Vence quem consegue conectar o rabo do cabelo com o rabo da ave: the bond! - a conexão é feita 4 - Imediatamente a pessoa tem que partir para a ação: voar.

A relação que vejo aqui é a de escolhermos DECIDIR e isso é sempre uma luta para não se influenciar pela situação contrária, mas permanecer firmado no que ficou decidido, persistência. Decisão é mais importante do que talento. Pessoas geniais precisam sempre de muitas e muitas horas de estudo e dedicação (a luta). O talento que não se usa enferruja e não é algo que desperta naturalmente, mas que exige dedicação e disciplina. Depois que você consegue "domar"a si mesmo, estabelecer os seus princípios éticos em situações de confronto, você precisa partir para a ação imediatamente. Pois ficar adiando uma ação é a receita infalível para gerar o medo de fracassar.

Termino com outra frase do filme: “strong heart, no fear”.

Domingo, Janeiro 29, 2012

O meu céu...

Essa aí é a minha janela...



Sol de direita....
Sol de esquerda...

Sol escondido..


Sol refletido...
Sol alinhado...
O sol da noite...

"Aurora Borealis"

O pico do ciclo solar - apreciado durante o inverno!

Romanos 1:19,20



Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Do que você é feito?

Sim, cada pessoa é um universo diferente, inventamos os nossos padrões e sistemas operacionais que nos levam sempre ao mesmo erro, pois caminhamos na direção dos nossos extremos.

Pessoas exageradamente: racionais ou emocionais, mandona ou submissa, altruístas ou egoístas. E aí, os opostos se atraem. Mas depois se repelem. Adjetivo, sujeito ativo e passivo, preposição e, assim por diante permanecem, só o tempo é que muda.

Uma hora o diferente vai cansar, ao invés de encantar.

Relação ideal é quando duas pessoas estão lado a lado crescendo juntas, buscando o equilíbrio e servindo de espelho um ao outro para mostrar os pontos cegos.

Precisamos nos conhecer melhor.
Questione o sistema que existe dentro do seu universo,ok?

Quarta-feira, Janeiro 04, 2012

Estudo do livro de Exôdo..Cap 1

Este blog nasceu com o intuito de narrar uma saída da minha terra natal (Brasil) para um outro continente. Passei por um exôdo e por isso em 2012, ano que marca 6 anos vivendo na Holanda, gostaria de falar sobre o exôdo do povo de Israel contado no livro escrito por Moisés. A palavra nômade tem o mesmo significado que “hebreu”, pois era um povo sem raízes, que caminhavam numa jornada que nunca terminava - isso me lembra o slogan “Keep on Walking”!

Entenda o contexto

A palavra exôdo representa a saída do povo israelita do Egito.A história narra a saída dos escravos em busca da terra prometida. A base disso vem desde Abraão, quando Deus faz a promessa de que ele seria o pai de uma nação, que ele deveria sair da terra dele e que Deus o levaria para uma outra terra. O filho de Abraão é Israel, o filho da promessa (teve também Ismael - Palestina).

Já no Egito...
Quem dá início à vinda dos israelitas ao Egito é José. Por consequência da maldade de seus irmãos, ele é levado contra a sua vontade como escravo para o Egito. José é uma figura profética de Cristo, que também saiu dos céus e veio para a terra por força das circunstâncias. José, por saber interpretar os sonhos do Faraó e ser sábio, tornou-se o ministro-chefe do Egito. E na época das “vacas magras” em Israel, ele compartilhou as “vacas gordas” (economizadas no Egito) com o seu povo. Por este motivo, houve a migração de alguns israelitas para o Egito.
Depois de muitos anos que José havia falecido, o povo israelita se tornou muito numeroso (a procriação era algo sagrado na cultura deles) e próspero (crescem por ter muita organização). O povo que havia sido salvo pelo Egito anos antes, agora era maltratado.

Quando é que a escravidão chega?
Quando a maldade entrou no coração do rei,este Faraó então não havia conhecido a José e a história do Deus de Israel (paralelo à maldade de Hittler contra o povo de Israel). O povo israelita também havia se esquecido da sua própria história, da promessa de Deus, e estava estagnado na ingratidão.
Como o povo não parava de crescer, o rei ordenou que todos os meninos que nascessem deveriam ser mortos (assim como foi também na época do nascimento de Cristo e retratado em Apocalipse na figura do dragão que busca tragar o filho da mulher).
Como as parteiras israelitas temiam a Deus, elas não matavam os bebês e depois mentiam dando uma desculpa. Vale lembrar que o Antigo Testamento é um show de imoralidades, mentir poderia ser visto como um padrão moral e depois como pecado.
O menino Moisés foi então escondido por 3 meses (simbologia com os 3 dias em que Cristo ficou como morto antes de ressucitar).

Terça-feira, Dezembro 06, 2011

"Os sonhos são a estrada real para o conhecimento da mente"

Descobri recentemente que temos ciclos de 90 min de sono durante o descanso, e o sono REM (rapid eyes moviment) é o mais importante pois é o momento em que sonhamos.

Isso varia, pois não somos máquinas. Quando bebês durmimos mais de 80% do tempo em sono REM; quem tem mais de 70 anos dorme menos de 10% em sono REM; e a média para adultos jovens é 20% do tempo total de sono profundo. Entre um ciclo e outro, qualquer mínimo distúrbio pode facilmente nos despertar. Portanto se você durmir 6 horas terá tido 4 ciclos (5 ciclos = 7h30, 6 ciclos = 9 horas).

Existem diversas teorias para dar importância aos sonhos. Aqui vou citar as três hipóteses mais aceitas.

1) Sonho de conveniência: quando você sonha que foi ao banheiro ou bebeu àgua e assim não precisou acordar para suprir tais necessidades. É o mesmo processo quando você mata alguém que odeia no seu sonho, ou que está casando se for alguém carente, ou que tem dinheiro de sobra se for um endividado, portanto o sonho ajuda a "resolver o problema".

2) Sonho estimula a criatividade: mesmo que não sejam interpretados, os sonhos são de grande ajuda para nosso equilíbrio psicológico. Eles possuem uma sabedoria profunda e nos propiciam descobertas reveladoras e remetem ao sentido real de nossas emoções que só se revelam no inconsciente. Por isso, com o emocional mais equilibrado, podemos ser mais criativos.

3) Limpeza da mente e emoções: processos químicos cerebrais durante o sonho ajudam a filtrar experiências emocionais negativas, principalmente em tratamento de traumas pós-guerras. O sonho é como se fosse o processo de defecação que o nosso corpo faz, e que a mente também precisa. Por isso, o tempo cura, pois durante os sonhos somos tratados e no final tendemos a lembrar mais as coisas positivas e esquecer as negativas do passado.

Normalmente, os sonhos que carregam a impressão de serem vívidos são os que trazem fortes significados, pois as chances de serem lembrados ao acordar são maiores.

Domingo, Dezembro 04, 2011

O medo europeu


Pesquisador diz que Europa teme ficar refém da soja importada


A Europa compra quase 10 milhões de toneladas de farelo de soja brasileira, e devido à crise financeira esse mercado pode sofrer algumas mudanças. A disputa porLink grãos é uma tendência, pois houve a diminuição do produto disponível em escala global. Portanto, é primordial conhecer as preocupações e interesses deste grande mercado consumidor. Conversamos com o holandês Wouter van der Weijden, diretor da Fundação de Agricultura Sustentável (Centrum voor Landbouw en Milieu/CLM), autor do livro Biological Globalisation e já foi conselheiro da Comissão Européia e do Banco Mundial. Desde 2002, ele atua como presidente do Conselho de Agricultura, Inovação e Sociedade, um órgão do Ministério da Economia, da Agricultura e da Inovação Holandês. O objetivo dele é representar os agricultores, unindo a realidade do campo com a arena política do governo, mas sustentado pela base teórica das pesquisas.
A seguir, a íntegra da entrevista.

Uma das propostas apoiadas pela Plataforma agrícola é que a União Européia diminua a importação de soja usada na ração animal. Quais são os motivos que sustentam essa proposta?
A produção de soja é concentrada em poucos países e existe o risco de haver um desastre natural ou problema geopolítico afetando o mercado. São vários fatores. Do lado brasileiro o desmatamento é uma questão delicada, e por parte da Argentina a soja trangênica é mal-vista e está se espalhando pelo mundo. Temos também a China, que é ainda mais dependente dessa soja do que a Europa e pode uma hora desequilibrar essa balança. A Europa tem medo de ficar dependente da produção e do preço mundial da soja. Precisamos ter mecanismos de defesa, pois o sistema é instável. A possibilidade que temos é de voltar a usar restos de carne e farinha de ossos na ração, o que sempre foi uma excelente fonte de proteína para aves e suínos. O erro com a doença da vaca louca foi alimentar o gado com o farelo de ossos de bovinos; eles não podem comer restos da própria espécie, mas podem comer o resto de galinhas ou porcos. Se a ave ou o suíno comer os restos provenientes da mesma família animal haveria a contaminação da mesma forma, mas com o cruzamento de espécies não haveria riscos. Isso requer muita fiscalização na hora de produzir a ração e não pode haver engano. Hoje os ossos são queimados e usados para gerar eletricidade. Porém, economicamente é mais viável usá-los como fonte de proteína e assim diminuir a importação de soja em 15%. Somado a isso, a Europa poderia aumentar as plantações de oleaginosas para fabricar a ração, comprar soja de outros países como Ucrânia e Paraguai, e assim ter mais alternativas.

O senhor acredita que um dia a China consiga controlar o preço mundial da soja?
Se for num curto período de tempo, sim. Mas quem poderia ter esse controle de preço são os EUA, a Argentina e o Brasil, caso eles diminuam a produção. Porém, isso não fica nas mãos do governo, mas é uma decisão que parte dos cartéis. Existem cartéis em quase todos os países, embora a Organização Munidal do Comércio (OMC) não permita. A única forma da China influenciar o preço é estocar e depois vender um volume muito grande, caso eles tenham medo do preço interno subir muito. O risco está em negociar com as empresas estatais na China; para quem está de fora fica difícil saber como a empresa funciona, falta mais transparência. A soja é oriunda da China, mas hoje eles já não possuem o controle e o maior pesadelo chinês é um dia ficar nas mãos da Monsanto. Isso explica porque eles produzem a própria soja trangênica, e compram a convencional.

A União Européia comunicou, em junho deste ano, que irá diminuir em 5% a importação de soja. Isso tem relação com a proposta de corte?
A Comissão Européia não tem o poder direto para reduzir a importação, a única coisa que eles poderiam fazer é adicionar uma tarifa e de forma indireta reduzir o comércio. Mas o que aconteceu recentemente foi o decréscimo das tarifas na importação de grãos. O medo é ter um preço doméstico muito alto e sofrer inflação. Não tenho o conhecimento de nenhuma medida da Comissão Européia no sentido de reduzir drasticamente a importação; quando eles leram o relatório, não me pareceu que se convenceram quanto aos riscos. Mas caso isso aconteça acredito que haveria uma troca comercial com o Brasil. A Europa diminuiria a soja, porém importaria mais suínos e aves, o que é uma medida sustentável a fim de diminuir o estrume por aqui. O maior problema na pecuária européia é o estrume. Caso o Brasil consiga intensificar sua agricultura, essa seria uma boa troca.

A tendência da agricultura sustentável é que a produção de alimentos seja local e decentralizada, ou seja, o consumidor próximo do fornecedor. Consequentemente, os animais deveriam estar próximos às fontes de matéria-prima da ração. É esse o conceito que move a Europa a produzir a própria ração animal?
Não há um consenso quanto a isso. Particularmente, eu não gosto da distância entre consumidores e fornecedores. O conceito de comércio local é algo que a WWF está promovendo e, por esta razão, a exportação da carne suína brasileira pode aumentar. Mas com todos os pro

O holandês Wouter van der Weijden, da CLM
blemas climáticos, o cenário é muito instável, isso deixa os políticos agitados. Mas a Europa está em negociação com o Mercosul, provavelmente haverá um aumento de importação de carnes suínas e aves para a Europa. Também sou a favor do mercado globalizado.

Como a Europa poderia produzir mais oleaginosas?
A França tem um excedente de terras e poderia produzir as oleaginosas lá, onde Comissão Européia estimula o cultivo de novas variedades. Se o custo da pecuária ficar alto e houver a competição, o mercado necessitará encontrar o equilíbrio. Fora isso, importar a carne traz uma vantagem para o pecuarista europeu, ficariam livres de parte do estrume gerado. Hoje o excedente do estrume é usado no biogás, mas ainda assim não conseguimos dar um fim aos resíduos que geram uma super concentração de gases de efeito estufa. Especialmente na Holanda, produto da pecuária intensiva, isso é uma armadilha. Pensávamos que poderíamos encontrar uma solução, mas até o momento ela não existe. Deve haver um balanço entre o uso da terra com a pecúaria.

Como são vistos os países fornecedores de soja - EUA, Brasil e Argentina - em termos de confiança no mercado?
Os EUA é o mercado mais consistente para a soja, apesar de serem muito protecionistas e sofrerem muito com problemas climáticos. O Brasil é confiavél, nunca houve nenhuma suspeita de crise ou de manipulação no preço da soja. O que se sabe é que o Brasil precisa aumentar a produtividade por hectare para evitar expandir as àreas. Se houver um foco na intensificação, é possível zerar o desmatamento. Já na Argentina existe duas questões: os transgênicos e a manipulação de preço. A Argentina tem herbicidas mais resistentes devido aos trangênicos, a saúde pública está em risco. A Europa não vê com bons olhos o uso em larga escala do roundup (pesticida da Monsanto) na Argentina. A Europa não aceita trangênicos e segue o discurso do Greenpeace. Fora isso, a presidente Kirchner aumentou as tarifas de exportação da soja e do trigo, manipulando o preço. Se a política do Brasil mudar, eles também podem visar aumentar as tarifas. Os dois países são vizinhos, ambos com mulheres populares no cargo de presidente, e que são parceiras. Portanto o Brasil poderia sim seguir o exemplo da Argentina, não excluo essa possibilidade de acontecer. Como os contratos são sempre de um ano, tudo é muito instável, devemos prever riscos e estar preparados caso uma calamidade aconteça. A China poderia alterar sua política de mercado, diminuir a produção da própria soja e comprar mais soja. Num momento de desastre nas colheitas, que se repita por alguns anos devido às mudanças climáticas, e ainda uma crescente demanda do mercado interno, é possível que esses países usem toda a soja e não tenham excedente para exportar. Quanto maior o número de produtores de soja, menor os riscos.

A previsão é que em 2020 o Brasil produza 95 milhões de toneladas de soja, quase 20 milhões a mais em relação aos atuais 73 milhões de toneladas. Por que na Europa existe essa desconfiança?
Bom, não quero ser arrogante, mas gostaria de pontuar algumas sugestões de melhoras para o Brasil. Primeiro, não use áreas novas para a agricultura, tanto o cerrado quanto a floresta devem ser conservados. Portanto, aumente a produtividade. Segundo, alcance o potencial máximo que a terra utilizada pode dar através de técnicas inteligentes (intelligent farming). Terceiro, avalie de que forma você pode exportar carne ao invés de soja e, assim, ter um maior lucro. Cuide da qualidade do seu solo, use estrume no solo, não deixe o solo ficar empobrecido. Por último, esteja consciente dos impactos do uso de OGM (organismos geneticamente modificados) na saúde pública, pois isso cria resistência em insetos e sementes. Mantenha a soja convencional pois essa é a melhor. A plantação de soja convencional é mais lenta se comparada com a de transgênicos, mas a soja natural pode se tornar mais eficiente com o mapeamento e seleção dos genes, assim a produtividade aumenta e o OGM fica menos vantajoso.

O senhor sugeriu intensificar a agricultura no Brasil. A Holanda é um exemplo de eficiência no sistema intensivo, porém tornou-se refém dos fertlizantes. Não é melhor usar mais terras no Brasil do que vir a ser tão eficiente como a Holanda e depois poluir com o excesso de gases de efeito estufa?
Intensificar é também produzir uma maior variedade, e não apenas investir mais em tecnologia. Acho que desmatar é pior e deve ser evitado. Na Europa existe um excedente de terras, a França é um exemplo, pois a cada ano a produtividade cresce. Quanto a poluir, não confunda Holanda com Europa. A Holanda tem o sistema de pecuária mais intensivo na Europa. Estamos tentando resolver os problemas que isso gera, já houve uma redução. Mas a Europa é extensa e poderia usar mais terras, se for feito um processo lento dentro de 10 anos poderiamos diminuir a importação de soja sem qualquer problema.

E isso não seria visto como protecionismo?
Depende, se aumentarmos a importação de frangos e suínos do Brasil, acho que não teria importância, pois isso agrega valor e gera mais dinheiro para os brasileiros.



Fonte: Beatriz Bringskein, da Holanda

Segunda-feira, Novembro 07, 2011

“A Europa não levou a sério o próprio reflorestamento”

Publicado - Radio Nederland
O projeto ‘Grou
nds for choice’ (‘Base para escolhas’), de 1992, foi a primeira pesquisa que alertou a Europa sobre a responsabilidade no uso da terra e florestas.

“A Europa poderia ter um reflorestamento bem mais amplo, porém isso nunca foi realizado por nenhum dos países da União Europeia. A proposta de reflorestar deveria ser cumprida, pois se estamos pressionando o Brasil a não desmatar, deveríamos começar aqui primeiro”, critica Rabbinge.

O mercado europeu critica o avanço da soja, da pastagem e da cana-de-açúcar no Brasil. Em contrapartida, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, viabilizou mais financiamentos para agricultores que adotarem práticas ambientalmente corretas, pois a meta do Brasil é buscar uma agricultura sustentável. O Ministério da Agricultura quer recuperar 15 milhões de hectares de terras degradadas em dez anos, integrar lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares, além de aumentar em 3 milhões de hectares as florestas plantadas. O Brasil firmou metas voluntárias para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 36%, e para isso deve diminuir em 80% o desmatamento.

Políticas agrícolas
Rabbinge defende a adequação de tecnologias agrícolas em busca da produção sustentável. “O que conta é otimizar a terra, fazer uso da melhor possibilidade visando a melhor integração com o meio ambiente”, afirma. Para isso acontecer, os governos devem se responsabilizar pelas políticas agrícolas, determinar os produtos compatíveis à terra e aos objetivos do agricultor. Se os governos ficarem passivos, outras forças irão surgir no devido tempo e causar a decadência da comunidade rural.

A pesquisa ‘Grounds for choice’ foi desenvolvida pelo conselho ministerial do governo holandês a fim de guiar a Europa na política do uso da terra. Mas os países europeus não seguiram as sugestões desse estudo. “A discussão que existe hoje já existia há 20 anos. É possível termos mais natureza aqui sem afetar a produção de alimentos. Porém, a Europa deveria usar as soluções mais eficientes, que a longo prazo são melhores para o meio ambiente e para as atividades econômicas”, analisa o professor.

Investimento em pesquisa

Segundo o relatório Agriculture Perspectives 2010-2019 da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o Brasil tem uma produção agrícola mundial de 26%, mas a tendência é chegar em 2019 suprindo o mercado em 35%. Porém, o governo precisa interagir para estimular a agricultura tradicional, que é a mais promissora e atrativa. O Brasil é uma nação agrícola e precisa investir em pesquisa. Rabbinge acredita que isso esteja acontecendo, principalmente com a Embrapa. “Na questão do etanol, o Brasil é o único que consegue ter lucratividade com o álcool. Não estou dizendo que sou a favor de usar a biomassa para energia. Mas devo dizer que se você tem solo e clima adequado, então por que não?”, defende.

A Europa poderia eliminar muitas de suas medidas protecionistas para gerar uma maior competição na agricultura, o que é saudável. Isso é o que na prática os governos europeus deveriam estar fazendo, mas, na visão do cientista holandês, fazem muito pouco. As forças naturais do mercado são necessárias e devem seguir os critérios adotados pelas políticas públicas. “Mas o inverso não pode acontecer, o governo não deve seguir as ordens do mercado”, opina.

Armas de fogo: debate aceso - Abril 2011

O que causa mais dano no mundo: a boa intenção somado à estupidez ou a má intenção com a inteligência?

É difícil para o Estado se prevenir de ações psicopatas, mas é possível ter uma sociedade mais alerta e preparada para combater isso.

A escola municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, abriu as portas para o assassino com a boa intenção, crendo que ele era apenas um palestrante. Contudo, foi a estupidez de não checar a informação que deu as boas-vindas ao psicopata.

Na Holanda, o atirador do Shopping em Alphen aan der Rijn conseguiu o porte legal dos revolvéres pois praticava o esporte, mas não teve que se submeter a nenhum exame psicológico. No país onde os agentes policiais andam desarmados, existem 70 mil armas registradas por porte legal. E a polícia tem como responsabilidade todos os anos fiscalizar se elas estão devidamente guardadas e separadas das munições, porém, eles assumem que não tem estrutura para cumprir com esta tarefa.

O senso comum aponta para a idéia de que quanto mais armas, mais violento o país se torna. Porém, Suiça e Finlândia tem quase metade da sua população armada e baixas taxas de homicídeos.

Não apenas lá, mas aqui também

A morte dos 12 alunos assustou muitos brasileiros, que acreditavam morar num país conhecido pela hospitalidade. Tiroteio em escolas, até então, era coisa só dos Estados Unidos.

A notícia, todavia, ganhou apenas uma pequena nota no fim da página Internacional nos jornais impressos da Holanda. Conversando com uma holandesa, ouvi ela dizer que pensava ser comum isso acontecer no Brasil, já que todos lá acham normal ver o banho de sangue que policiais do Bope dão em favelas.

Duro é comprovar que essas tragédias não acontecem apenas “lá”, mas aqui também. A culpa então recai sobre os games de computador que simulam um atirador virtual andando pelas ruas e matando as pessoas. Ou então, a sociedade mira no alvo dos disturbios mentais. E se esquece que o mundo em que nossos jovens vivem é um lugar onde tudo gira em torno do “eu”, na busca do “eu”ser respeitado, ganhar a fama e atenção ao ser imediatamente notado.

E como conseguir o respeito de alguém em 10 segundos? Basta colocar uma arma na cabeça da pessoa.

A melhor defesa é o ataque

Quem ataca está sempre sob o controle da situação. E quem tem o dever de fazer isso é o Estado, por meio da Polícia ou da Saúde Pública examinando o estado mental dos portadores legais de armas. Se não o faz, então deve ao menos dar a alternativa ao cidadão de bem de se defender. O vocalista do U2, Bono Vox, quando esteve no Brasil em Abril de 2011, usou uma metáfora que defini bem a importância de se ter o controle: “se você não tem um assento à mesa, isso pode significar que você terá um espaço no menu”.

O próprio ministro da Justiça, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, afirmou que “o Estatuto do Desarmamento visava tirar as armas dos homens de bem, pois desarmar os criminosos é função da polícia”. Entende-se que o Estado só deve agir com o cidadão de bem, depois de cumprir seu dever quanto aos criminosos.

Sarney usa tragédia como plataforma

Aproveitando o momento de comoção nacional, o Senador Sarney dá uma resposta vazia ao querer trazer um novo e caro referendo sobre o comércio de armas. Enquanto nada está sendo pensado sobre a segurança, o Congresso já adiantou a Campanha de Desarmamento, antes prevista para junho, agora para o dia 6 de maio.

Em 2005, para que o cidadão de bem tivesse o direito de se defender, 63,9% da população votou para que a venda de armas continuasse. Segundo o Ministério da Justiça, existem hoje cerca de 16 milhões de armas em circulação no Brasil. Dessas, 7,6 milhões (ou 47,6%) estão na ilegalidade.

Música não é só barulho

publicado aqui..

O
Rap das Armas grudou como chiclete na Holanda, mas a música lançada pelo Mc Cidinho & Mc Doca não toca por aqui na versão original. A pitada holandesa do DJ Quintino contribuiu para que a nova versão remixada agradasse aos ouvidos, e o novo videoclipe com mulheres de biquini dançando, aos olhos dos cabeças de queijo. E para os curiosos que tentam traduzir a letra, surge a pergunta: por que os “duitsers” invadiram o Brasil?

Como se não bastasse de “parapapas”, o cantor Dennis Bax associou a melodia e o refrão de som de tiros com uma letra em holandês em que fala sobre sair beijando garotas. Mas se é para falar de cópias, podemos começar com o Latino e a “Festa no apê”, pois originalmente a melodia é da banda O-Zone, da Moldávia. O cantor brasileiro não foi o único a fazer sucesso plagiando “Dragostea Din Tei”, há versões da mesma música em mais de 15 diferentes idiomas.

Mas afinal que poder a globalização tem para tirar uma música do seu contexto cultural e usa-lá como produto descartável em outro canto do mundo? Como pode um rap que representa a violência do Rio de Janeiro, e foi censurado nas rádios do Brasil, virar dinheiro na Europa? Será que os funkeiros do morro se identificam com o que os holandeses estão ouvindo? O mercado globalizado da música é violão ou herói nesse contexto?

Não tenho como definir as respostas necessárias, mas faz toda a diferença questionar. Pois o parapapa aqui não passa de barulho, mas para quem é do morro e conhece o peso da palavra violência, esse refrão é a identidade social e a cultura de todo um povo.