Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

Há sinais por todos os lados

Na catedral de Brasília há uma estátua de São João fazendo um sinal com a mão que eu já conhecia. Bati a foto. Dias depois, durante uma visita ao Itamaraty, encontro um quadro do holandes Pieter Pourbus (Le Tricheur) que não pode ser fotografado, mas que mostra duas pessoas fazendo um certo sinal com a mão. A 'neura' do olho repentinamente voltou na forma de sinais com as mãos.

Mas eu já conhecia o sinal porque esse meu professor aqui vive fazendo esse gesto. Quando estive em Praga encontrei o mesmo sinal na entrada da biblioteca do escritor Franz Kafka. Rendeu outra foto e com direito a relembrar a neura do olho, pois aparece um olho egípicio entre as mãos.
As pessoas estão cegas para os sinais enraizados na cultura e na arte. Muitos símbolos que aparentam ser modernos possuem origem milenar e passam batido.

Na maioria dos túmulos judeus há o desenho das mãos para bendizer a passagem para a outra vida. O sinal é parte da tradição usada há milenios pelos rabinos e simboliza a letra Shim, a primeira da palavra Shadai em hebraico, que significa Deus.
Mas ai vem o capitão Spock, de Jornada nas Estrelas, e torna esse símbolo considerado sagrado pelos judeus em uma 'saudação dos Vulcans'. O cumprimento aparecia no filme acompanhado das palavras 'Peace and long life' (PLL) e recebia como resposta 'Live long and prosper' (LLP). Mas essa também era +/- a forma como os judeus se saudavam desde antes da época de Jesus.

O que me irrita é ver uma tradição milenar virar dinheiro. Se assim fosse apenas nesse caso, papai noel, coelhinho da páscoa e simbolos do rock and roll não existiriam.

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