Sexta-feira, Maio 08, 2009

Zonas e campos

Como os brasileiros se saem quando lidam com a cultura européia? Não dá para generalizar, mas a vida dos atletas do futebol talvez sirvam de base para análises superficiais. Há em média um jogador brasileiro em cada equipe européia. O fenômeno surgiu nos anos 80, ganhou força nos anos 90 e explodiu atualmente. Os astros reclamam da pressão, mas qualquer brasileiro que more na Europa passa pelas mesmas coisas.
O importante é saber se movimentar dentro das zonas. E nesse jogo o campo é dividido em 3 partes.
1- A zona da comodidade: quando estamos em nosso país, falando o mesmo idioma e com a mesma cultura. Onde o talento, a criatividade e a ginga são destaques. E não é por ser treinador que dá para viver do jeito que se quer. Luxemburgo enquanto esteve fora da área comum dos brasucas não se saiu bem nem no espanhol e nem no inglês. Já Felipão falava um inglês básico no Chelsea. Mas a comunicação limitou o trabalho deles com os atletas e foram despedidos.

2- A zona do desafio: Você quer se adaptar ao outro mundo. Se esforça para aprender a língua, para fazer amigos e para entender a outra cultura. Aqui é onde o Kaká leva o prêmio e o reconhecimento por ser um dos poucos jogadores que conseguiram somar talento e rigor técnico.
Agora Kaká não é assim um Pelé, mas se adaptou rapidamente ao futebol europeu e por isso ganhou destaque. Mas nem por isso, ele sai por aí aceitando propostas bilionárias do Manchester United. Ele negou aumentar ainda mais a zona do desafio por conta da família.

3- A zona do bloqueio: Você entra em depressão, odeia tudo a sua volta e começa a achar a sua terra natal o paraíso. Assim como o Adriano que preferiu bloquear o futebol europeu e voltou para a zona de comodidade. Escolha dele, direito dele.
No vídeo que os artistas holandeses Haas & Hahn fizeram do Adriano, ele explica: "Não tenho nada contra o Inter, só não gostava de viver na Itália. Eu me sentia pressionado e suportei uma pressão grande desde os 18 anos de idade. Muita gente não vai entender, é uma situação ruim, chata, não é fácil. Mas é uma opção de vida". Para alguns fãs, ele deixou a imagem de ingrato pois na Europa foi onde ele cresceu como profissional.

Quem se adapta ao desafio, joga nos dois times e vence de qualquer jeito.

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