Segunda-feira, Agosto 02, 2010

Perdi a minha avó, experiência de luto profundo

Hoje, segunda-feira, dia 02 de agosto, às 22h30 eu recebi uma mensagem pelo msn. Meu tio Samuel avisando que a minha avó Elza havia falecido.

A minha reação física foi como se eu tivesse virado uma pedra, não consegui mover nenhum músculo, não queria ter reação. Queria que o minuto passado pudesse voltar no tempo e que eu não fosse obrigada a encarar a realidade.

Meu maior medo ao ficar longe do Brasil, era um dia perder a minha avó sem estar lá pra me despedir.

E esse temor me movia a ligar cada semana, pra saber se ela estava bem. A última vez que a vi foi no dia 9 de novembro de 2008, um dia depois do meu aniversário. Lembro-me bem de entrar no carro e olhar pra ela no portão da casa 606 se despedindo de mim. O meu pensamento era: que essa não seja a última vez que te vejo, Vó!


Minha avó deixou dois costumes profundamente marcados em mim. O primeiro foi de acordar mais cedo e antes do café da manhã ler a Bíblia e falar com Deus. O segundo foi ter sempre a mesma resposta para cada planejamento diário: - Se Deus quiser e se for da vontade Dele!



A última vez que falei com a minha avó foi na quinta-feira, dia 29 de Julho, às 21h17, ainda está no meu celular o registro. O que vem na minha cabeça agora é : o que eu faço com o meu costume de ligar para a minha avó sempre que a saudade bate? O que eu me lembro da conversa foi dela falar como estava fraca, primeira vez que ouvi isso dela. Eu não sabia o que dizer. Mudar de assunto para ver se ela melhorava e esquecia a fraqueza? Eu não sabia o que dizer, só queria chorar e o nó na garganta me impediu de falar com ela por mais tempo no telefone.



Ela tinha sempre um desejo especial pra mim nos pedidos de oração de cada manhã. Que eu pudesse ser feliz e encontrar um bom esposo. E pensar que ela não vai estar no meu casamento é o que mais dói. Pois sempre sonhei com isso, em poder dizer : vó, obrigada pelas suas orações.


Eu sei que devo agradecer a Deus por ter me dado uma super vó, Dona Elza, Anésia, a baixinha, e com quem tive momentos inesquecíveis. Mas o nó na gargante me impede novamente de ser sincera. Tudo o que eu quero é tentar deixar registrado esse dia, esse momento pois a memória um dia vai apagar muitas das recordações, da voz, dos trejeitos e das conversas que ela registrou nesse mundo. Como vai ser o lugar onde a família se reunia pra rir e contar causos sem a presença dela? Deixei para trás algo que nunca mais terei de volta. Mas se hoje eu quero ser alguém melhor, é por ter ela como referência de vida. Vó, te amo muito!

2 comentários:

COA Car disse...

Bia, meus pêsames... A partida de quem amamos sempre é dolorida, seja rápida ou demorada.

Tem uma música que diz: "Quem nasce chora, quem morre sorri". Sempre penso nisso.

Um grande abraço silencioso.

Claudio

Joao Marcos disse...

Preciosa Michelle!

Amo muito nossa família, passamos momentos inesquecíveis com a vovó...
lembro de quando tomava banho e ela impedia de sair pra fora, sempre cuidadosa, não permitia agente comer coisas misturadas, era tudo pelo cuidado que tinha por nós todos os netos.
Fica o sentimento de saudade, por ela ter ido. Um sentimento de dor e perda de mais alguém preciosa em nossa vida. Fica a memória de que "VALEU A VIDA DELA, VALEU A PENA SER VIVIDA E CONTINUARÁ NOS CORAÇÕES DAS TANTAS PESSOAS QUE ELA CATIVOU COM A MENSAGEM DA CRUZ"
Ao mesmo tempo fica uma esperança de que nos veremos, assim como verei minha mãe de novo.

Desculpe, lamento minha prima querida! Que Deus te abençoe.
Aprendemos muito com ela!
Saudades!