É difícil para o Estado se prevenir de ações psicopatas, mas é possível ter uma sociedade mais alerta e preparada para combater isso.
A escola municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, abriu as portas para o assassino com a boa intenção, crendo que ele era apenas um palestrante. Contudo, foi a estupidez de não checar a informação que deu as boas-vindas ao psicopata.
Na Holanda, o atirador do Shopping em Alphen aan der Rijn conseguiu o porte legal dos revolvéres pois praticava o esporte, mas não teve que se submeter a nenhum exame psicológico. No país onde os agentes policiais andam desarmados, existem 70 mil armas registradas por porte legal. E a polícia tem como responsabilidade todos os anos fiscalizar se elas estão devidamente guardadas e separadas das munições, porém, eles assumem que não tem estrutura para cumprir com esta tarefa.
O senso comum aponta para a idéia de que quanto mais armas, mais violento o país se torna. Porém, Suiça e Finlândia tem quase metade da sua população armada e baixas taxas de homicídeos.
Não apenas lá, mas aqui também
A morte dos 12 alunos assustou muitos brasileiros, que acreditavam morar num país conhecido pela hospitalidade. Tiroteio em escolas, até então, era coisa só dos Estados Unidos.
A notícia, todavia, ganhou apenas uma pequena nota no fim da página Internacional nos jornais impressos da Holanda. Conversando com uma holandesa, ouvi ela dizer que pensava ser comum isso acontecer no Brasil, já que todos lá acham normal ver o banho de sangue que policiais do Bope dão em favelas.
Duro é comprovar que essas tragédias não acontecem apenas “lá”, mas aqui também. A culpa então recai sobre os games de computador que simulam um atirador virtual andando pelas ruas e matando as pessoas. Ou então, a sociedade mira no alvo dos disturbios mentais. E se esquece que o mundo em que nossos jovens vivem é um lugar onde tudo gira em torno do “eu”, na busca do “eu”ser respeitado, ganhar a fama e atenção ao ser imediatamente notado.
E como conseguir o respeito de alguém em 10 segundos? Basta colocar uma arma na cabeça da pessoa.
A melhor defesa é o ataque
Quem ataca está sempre sob o controle da situação. E quem tem o dever de fazer isso é o Estado, por meio da Polícia ou da Saúde Pública examinando o estado mental dos portadores legais de armas. Se não o faz, então deve ao menos dar a alternativa ao cidadão de bem de se defender. O vocalista do U2, Bono Vox, quando esteve no Brasil em Abril de 2011, usou uma metáfora que defini bem a importância de se ter o controle: “se você não tem um assento à mesa, isso pode significar que você terá um espaço no menu”.
O próprio ministro da Justiça, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, afirmou que “o Estatuto do Desarmamento visava tirar as armas dos homens de bem, pois desarmar os criminosos é função da polícia”. Entende-se que o Estado só deve agir com o cidadão de bem, depois de cumprir seu dever quanto aos criminosos.
Sarney usa tragédia como plataforma
Aproveitando o momento de comoção nacional, o Senador Sarney dá uma resposta vazia ao querer trazer um novo e caro referendo sobre o comércio de armas. Enquanto nada está sendo pensado sobre a segurança, o Congresso já adiantou a Campanha de Desarmamento, antes prevista para junho, agora para o dia 6 de maio.
Em 2005, para que o cidadão de bem tivesse o direito de se defender, 63,9% da população votou para que a venda de armas continuasse. Segundo o Ministério da Justiça, existem hoje cerca de 16 milhões de armas em circulação no Brasil. Dessas, 7,6 milhões (ou 47,6%) estão na ilegalidade.
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